O fim da pior recessão do Brasil desde a Grande Depressão.

A Profunda Recessão No Brasil Mostra Sinais de Recuperação.

Enquanto o mundo focou nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, economistas dizem que vêem sinais de um outro megaevento que está se aproximando: o fim da pior recessão do Brasil desde a Grande Depressão.

O maior país da América Latina continua atolado em uma recessão brutal, mas alguns indicadores econômicos mostram nas ultimas semanas uma nova perspectiva, de retorno ao crescimento.

A confusão gerada no Brasil com outros desafios, como a  olimpíada, o processo de impeachment que suspendeu o presidente em exercício Dilma Rousseff e que esteve emcurso no senado, o fato de a polícia ter detido 11 suspeitos, que se diziam fazer parte de um grupo que planejava ataques terroristas durante os jogos olímpicos, também o Zika vírus que  está provocando preocupações na área da saúde, entre alguns atletas e em parte dos turistas que chegaram ao Brasil e uma onda de corrupção que tomou conta de um círculo crescente de líderes empresariais e políticos.

Nesse contexto, a recuperação, do que poderia vir a acontecer no quarto trimestre na área econômica, provavelmente seria abafada por todos esse eventos. O produto interno bruto do Brasil está projetando expandir em cerca de 1% no próximo ano, após profundas contrações negativas de 3,8% em 2015 e de prováveis 3,3% este ano, de acordo com uma pesquisa recente de 100 economistas do banco central do país.

“Estamos perto de uma virada”, disse Newton Rosa, economista-chefe da sede da SulAmerica Investimentos em São Paulo.

Entre os sinais encorajadores e a confiança encontrada entre os consumidores e as empresas, que aumentou desde que Dilma foi suspensa em meados de maio por acusações, que ela negou, de mascarar ilegalmente um défice crescente.

O presidente em exercício Michel Temer instalou uma equipe econômica liderada pelo ministro das Finanças, Henrique Meirelles, ex-presidente do banco central. As empresas têm saudado a propostas de administração de Temer para limitar os gastos do governo e aumentar a idade de aposentadoria para aliviar a pressão sobre o sistema de pensões em ruínas.

“Nós sentimos uma mudança desde que Dilma foi suspensa”, disse Sergio Ribas, um executivo da empresa de papel Celulose Irani.

Os problemas econômicos do país começaram com a desaceleração da demanda chinesa por minério de ferro, soja e outras commodities, agravada pelos esforços de estímulo do governo que se tornaram insustentáveis culminando na inflação, a dívida pública e déficits crescentes.

Políticas destinadas a corrigir o curso foram frustradas por impasses políticos ligados ao enorme escândalo de corrupção centrado na empresa estatal de petróleo, e pelo movimento de impeachment da até então líder de estado Dilma.

O desemprego agora encabeça 11%. A inflação atingiu um pico de 10,7% em janeiro, apesar dos esforços do banco central para conter o preço levantando a Selic para 14,25%, uma das taxas mais altas do mundo.

Desde janeiro, no entanto, os aumentos de preços já começaram a facilitar, e a Selic está previsto para cair para 13,25% no final do ano e terminar 2017 em 11%, de acordo com a pesquisa do banco central.

Outros indicadores que oferecem esperança também é a produção industrial que tem aumentado, ou se mantido o mesmo em comparação ao mês anterior desde março, segundo a agência de estatísticas do Brasil. As vendas de veículos e a produção aumentou em junho, o terceiro aumento consecutivo, isso vem ocorrendo mês a mês, de acordo com a associação de fabricantes de automóveis brasileira Anfavea.

“O mercado parece ter encontrado seu piso”, disse recentemente Antonio Megale Presidente da Anfavea. “Normalmente, após os números estabilizaram, você começa a ter crescimento”.

Os mercados financeiros têm se reunido na esperança de que, a queda de Dilma de sinais de esperança na economia. A Ibovespa, subiu cerca de 31% até então, depois de cair 13% em 2015, enquanto a moeda do Brasil, o real, tem aumentado cerca de 22% em relação ao dólar até este momento de 2016.

Ainda assim, a recuperação do Brasil é frágil e suas contas públicas são precárias. Enquanto a administração do Sr. Temer prometeu austeridade, a dívida pública está prevista para acertar 76,6% do PIB no final de 2017, contra cerca de 69% atualmente. Desde setembro, todos as três principais firmas de classificação de crédito rebaixaram a dívida soberana do Brasil à sucata.

Outra preocupação é a Operação Lava Jato. A maior investigação sobre corrupção no Brasil tem enlaçado dezenas de políticos de todos os principais partidos. Três membros do novo gabinete de Temer foram forçados a renunciar a um mês de assumir o cargo depois de ser nomeado pelos informantes.

Temer não tem sido implicado pelas autoridades e negou irregularidades. Mas, mais consequências políticas poderiam enfraquecer a sua coalizão de governo e reduzir a sua capacidade de passar revisões extremamente necessárias.

“Se isso acontecer, poderíamos sentar-se no fundo do poço por muito mais tempo”, disse Newton Rosa da SulAmérica Investimentos.

O desemprego continuará a ser um empecilho à economia, tendo subido para 11,2% nos três meses encerrados em maio. Isso está pesando sobre as vendas no varejo, que a partir de maio havia declinado 14 dos últimos 18 meses, e que 20% abaixo do pico agosto de 2012, de acordo com Alberto Ramos, chefe de pesquisa da América Latina para a Goldman Sachs.

Laurence Gomes, diretor financeiro da rede de vestuário Lojas Renner, disse que sua empresa sentiu a dor. Mas o estoque de sua empresa é até mais de 50% maior este ano na expectativa de tempos melhores à frente.

“O emprego é o último indicador que começa a melhorar”, disse Gomes.

Fonte: Market Watch

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